Pular para o conteúdo

Sur-Ron ou Talaria? O que comparar antes de escolher, e onde a 79BIKE entra

A dúvida entre sur ron ou talaria aparece cedo para quem pesquisa moto elétrica off road no Brasil — e quase sempre vem acompanhada de uma terceira opção: os modelos 79BIKE. Pilotando trilha com elétrica desde 2021 e testando Falcon Pro, Falcon GT, Falcon Lite, Lynx e Surge V em percursos reais, percebo que a maioria das comparações online falha no mesmo ponto: compara especificações de fábrica sem considerar o que acontece quando a moto precisa de peça ou assistência a 300 km de um centro especializado.

Comparativos genéricos costumam colocar números de potência lado a lado e declarar um vencedor. O problema é que potência de pico isolada não diz se a moto aguenta o perfil de trilha que você faz, se o peso combinado com o seu corpo respeita a carga máxima do chassi, nem se existe suporte técnico no seu estado quando algo falha. Esses fatores mudam a decisão completamente dependendo do contexto do piloto.

Este comparativo organiza os critérios que realmente separam essas três marcas — potência, peso, bateria, legislação e suporte pós-venda no Brasil — para que você chegue à sua própria conclusão com base no que usa, onde pilota e quanto está disposto a pagar além do preço de compra.

Resposta direta: não existe a melhor, existe a certa para o seu uso

Sur-Ron, Talaria e 79BIKE chegam ao mesmo ponto de partida — motos elétricas off road para adultos — mas divergem em propostas concretas de uso, suporte técnico e peso. A escolha não é sobre qual marca vence um benchmark teórico; é sobre qual variável específica do seu uso cotidiano vai te custar mais caro se você errar.

Antes de qualquer especificação técnica, três perguntas definem o caminho: você pilota principalmente trilha técnica, enduro ou lazer? Existe assistência técnica autorizada na sua cidade ou região? E você já pilotou moto elétrica antes, ou está começando do zero?

Por que o uso define mais do que a potência

Um piloto que faz trilha técnica em terreno pedregoso uma vez por semana tem necessidades radicalmente diferentes de quem usa a moto principalmente em área aberta para lazer com a família. Peso, torque disponível em baixa velocidade e geometria de suspensão importam mais que a velocidade máxima declarada nesse contexto — e é exatamente onde as três marcas divergem de forma concreta.

Modelos mais leves, geralmente na faixa de 50 a 70 kg, favorecem manobras em terreno fechado. Motos acima de 85 kg exigem mais habilidade do piloto para retirar de situação de atolamento ou reposicionar em subida íngreme. Esse detalhe físico raramente aparece nas comparações de ficha técnica online, mas é o primeiro motivo de arrependimento de compra relatado em grupos de pilotos brasileiros.

O ponto em que a regra padrão não vale

A comparação entre marcas costuma priorizar potência de pico e autonomia declarada — dois números que, isolados, induzem ao erro. A autonomia publicada de qualquer modelo elétrico off road, incluindo os da 79BIKE, é medida em uso moderado. A própria comercialização dos modelos deixa claro que em trilha pesada esse número cai de forma relevante, sem especificar quanto.

Um piloto que compra uma moto com autonomia declarada de 120 km esperando esse alcance em trilha com subidas e uso intenso de torque vai descobrir na primeira saída que a conta não fecha. Isso não é falha de uma marca específica — é uma característica do segmento inteiro. A diferença está em qual marca comunica essa limitação antes da compra e qual suporte técnico você tem disponível quando surge a primeira dúvida sobre o comportamento da bateria.

Onde a disponibilidade de peças entra no cálculo

Sur-Ron e Talaria têm presença global consolidada e uma rede de importadores paralelos no Brasil. Isso gera um mercado de reposição mais amplo, mas também menos previsível em termos de procedência e garantia de origem. A 79BIKE opera com distribuição centralizada no Brasil, o que significa estoque controlado e garantia de 12 meses para quadro, motor e bateria — mas dependência de um único canal de atendimento técnico.

Se você mora em capital ou região metropolitana com acesso a assistência técnica autorizada, essa diferença pesa menos. Se você está em cidade do interior com poucos prestadores especializados em elétrico, o modelo de suporte disponível na sua cidade pode ser mais determinante do que qualquer especificação de potência.

O critério que a maioria consulta por último

Legislação não é detalhe secundário nessa comparação. Segundo a Resolução CONTRAN 996/2023, ciclomotor elétrico é definido como veículo com até 4 kW de potência e velocidade máxima de 50 km/h. Todos os modelos da 79BIKE ficam acima desses limites — o mais básico, o Falcon Lite, já opera com 6 kW de pico e até 85 km/h. O mesmo vale para Sur-Ron e Talaria nas versões voltadas a adultos.

Isso significa que qualquer um desses modelos, em via pública, é classificado como motocicleta e exige CNH categoria A. Quem compra achando que vai pedalar na rua sem habilitação porque “é elétrico” descobre esse enquadramento na primeira abordagem. Não é exceção — é a regra aplicável ao segmento inteiro, e influencia diretamente como você vai usar a moto fora do terreno privado.

O que olhar numa comparação honesta: potência, peso, bateria, peças e garantia no Brasil

Potência de pico: o número que define o tipo de trilha

O pico de potência em kW diz o que a moto consegue fazer em subida íngreme, lama e terreno solto — não só a velocidade no plano. Sur-Ron e Talaria têm vários modelos, com potências diferentes; compare sempre a ficha oficial do modelo exato. Entre os modelos 79BIKE, a faixa vai de 6 kW (Falcon Lite) a 35 kW (Surge V).

O erro concreto aqui: comparar o pico de potência sem olhar o torque disponível na faixa de saída. Um modelo com 10 kW e torque concentrado no topo da rotação responde diferente de outro com a mesma potência e entrega linear desde o zero — e a diferença aparece na primeira rampa de terra batida, não no showroom.

Peso com bateria e capacidade de carga

O peso completo afeta diretamente o esforço físico em trilha técnica e a segurança nas passagens estreitas. O Falcon Pro, com aproximadamente 59 kg e carga máxima de 136 kg, fica numa faixa leve para uso off road adulto. A Lynx, com os mesmos 12 kW de pico, pesa cerca de 85 kg — uma diferença de 26 kg que se sente em qualquer momento em que o piloto precise tirar a moto de uma vala ou carregar no braço.

Sur-Ron e Talaria publicam o peso de cada modelo na ficha oficial. Quando comparar, olhe sempre o número com bateria instalada — alguns fabricantes publicam o peso sem o pack, o que distorce a comparação.

Bateria: capacidade real e tempo de recarga

A capacidade da bateria em Ah, combinada com a tensão do sistema, define a autonomia possível — e o tempo de recarga define se a moto entra no segundo dia de uso ou fica na tomada. O Falcon GT usa bateria 72V 40Ah com células Samsung 50S e recarga entre 4 e 5 horas. A Lynx, com a mesma capacidade nominal, leva de 5 a 7 horas — diferença que importa quando a jornada de trilha começa no dia seguinte cedo.

A autonomia publicada pelos fabricantes — seja 79BIKE, Sur-Ron ou Talaria — é sempre em condição de uso moderado. A própria 79BIKE Brasil informa que o número real em trilha pesada é menor do que o divulgado nas fichas. Não existe dado publicado de autonomia real em trilha para nenhuma dessas marcas que permita comparação direta com número exato; o caminho seguro é tratar o valor oficial como teto, não como média.

Peças e assistência: o critério que aparece depois da compra

Aqui a diferença entre marcas fica mais concreta do que qualquer especificação de fábrica. Sur-Ron e Talaria têm presença de revendedores espalhados em algumas capitais brasileiras, mas o acesso a peças específicas — controlador, bobina, rolamentos do motor — ainda depende de importação direta ou de estoque do revendedor regional.

Para quem pilota em regiões fora desse eixo, o tempo de espera por uma peça importada pode estender uma moto parada por semanas — e esse custo de imobilização não aparece no preço de tabela de nenhuma das três marcas.

A garantia de 12 meses que a 79BIKE oferece para quadro, motor e bateria é o período padrão do setor para essa categoria. O que muda entre fornecedores é o processo: se a assistência é centralizada em um único ponto ou distribuída regionalmente. Antes de fechar compra em qualquer das três marcas, vale confirmar quem autoriza o reparo na sua cidade — e o que acontece com a garantia se você levar a moto a uma oficina não credenciada.

Sur-Ron e Talaria: o que cada marca propõe

Essa diferença de proposta aparece na construção do chassi e na forma como cada modelo distribui o peso. A Sur-Ron tende a ser mais ágil em cambos fechados e terreno compacto. A Talaria responde melhor em trechos com raízes e pedras maiores, onde o curso de suspensão extra faz diferença real na absorção.

O que cada plataforma entrega em trilha

Potência nominal e potência de pico são números diferentes, e cada fabricante destaca o que lhe favorece. Compare pico com pico e nominal com nominal, no mesmo modelo e versão. Mais do que o número isolado, pesa como a moto entrega força em baixa velocidade, que é o que você sente na saída de um obstáculo — e isso só um test ride mostra.

A leveza é o argumento mais citado a favor dos modelos menores da Sur-Ron e da Talaria: moto leve é mais fácil de levantar, de virar em trilha técnica e de subir na caçamba. Quem pilota sozinho, sem ninguém para ajudar a tirar a moto de uma vala, sente essa vantagem mais do que quem anda em grupo.

O ponto que gera frustração real

A autonomia publicada por qualquer marca raramente é alcançada em trilha pesada — e é nesse ponto que mais gente se frustra. Com subida constante e modo de alta potência, a autonomia real cai bastante em relação ao catálogo. Quem planejou um dia inteiro de trilha pelo número do catálogo, sem ponto de recarga, ficou parado. Isso vale para as três marcas.

Assistência técnica e peças no Brasil

Nenhuma das duas marcas tem rede oficial de assistência técnica estruturada no Brasil até o momento. O suporte depende de importadores, revendas independentes e comunidade de usuários — o que funciona bem para quem tem habilidade mecânica ou acesso a um mecânico de confiança, e funciona mal para quem compra esperando algo próximo à estrutura de uma montadora convencional.

A consequência prática é que peças específicas — como controladores e BMSs — costumam depender de importação direta ou de estoque do próprio importador, com prazo imprevisível.

Sur-Ron tem comunidade mais antiga no Brasil, o que significa mais experiência acumulada em fóruns e grupos para diagnóstico de problemas comuns. A Talaria, por ter chegado depois, ainda está construindo esse ecossistema — o que não é necessariamente um problema técnico, mas é uma variável real para quem não quer depender de tentativa e erro na manutenção.

Onde entram os modelos 79BIKE

A linha 79BIKE ocupa um espaço diferente do que Sur-Ron e Talaria oferecem: mais peso e mais bateria, com preço em reais sem a incerteza cambial de importados diretos. Não é uma proposta para quem quer a moto mais leve da trilha — é para quem prioriza autonomia maior e rede de suporte nacional.

Os cinco modelos atuais cobrem perfis bastante distintos, do iniciante que quer entrar na trilha elétrica com menor custo ao piloto experiente que precisa de torque real em subidas técnicas. A tabela abaixo organiza os dados oficiais de cada modelo para facilitar a comparação direta.

Modelo Potência de pico Peso aprox. Autonomia (moderado) Preço (R$)
Falcon Lite 6 kW 57 kg até 80 km 36.299
Falcon Pro 10 kW / 410 Nm 59 kg até 120 km 39.199
Falcon GT 12 kW 69 kg até 130 km 41.899
Lynx 12 kW 85 kg até 130 km 41.880
Surge V 35 kW / 948 Nm 105 kg até 150 km 76.800

O dado que mais chama atenção na tabela: Falcon Pro e Falcon GT têm apenas R$ 2.700 de diferença, mas o GT entrega bateria 72V 40Ah com células Samsung 50S contra a 72V 35Ah do Pro — e mais 10 km de autonomia declarada. Para trilha de dia inteiro, essa diferença de bateria importa mais do que os R$ 2.700 sugerem.

Qual modelo compete com Sur-Ron e Talaria — e em qual critério

O Falcon Lite, com 57 kg e 6 kW de pico, é o modelo mais próximo do perfil de peso das concorrentes importadas. Ainda assim, é mais pesada que os modelos mais leves das concorrentes, o que se sente em subida forte ou quando é preciso carregar a moto. A vantagem está na autonomia declarada de até 80 km — superior ao que versões de entrada das importadas costumam entregar.

O Falcon Pro, com 410 Nm de torque, entra numa faixa de desempenho que as motos de entrada da Sur-Ron e da Talaria não alcançam. É o modelo da linha que melhor equilibra peso contido (59 kg) com torque para subidas técnicas. Pilotos que fazem enduro com trechos inclinados vão sentir essa diferença antes de qualquer outra especificação.

Lynx e Falcon GT têm a mesma potência de pico (12 kW), a mesma velocidade máxima (95 km/h) e a mesma autonomia declarada (até 130 km). A diferença está no peso: a Falcon GT tem cerca de 69 kg e a Lynx, cerca de 85 kg. Em trilha técnica com muito obstáculo, esses 16 kg a mais cobram um preço físico no fim do dia.

A Surge V: uma categoria diferente

Com 35 kW e 948 Nm, a Surge V (Yvolt) não compete com Sur-Ron ou Talaria na faixa de peso ou perfil de uso — ela compete com motos elétricas de enduro de alto desempenho. Os 105 kg e o preço de R$ 76.800 deixam claro que é um equipamento para piloto experiente com estrutura de recarga adequada. A própria 79BIKE Brasil indica o modelo especificamente para adultos experientes.

Um erro que acontece com frequência: o comprador escolhe a Surge V pelo número de torque sem considerar os 105 kg em trilha técnica estreita. Em trechos onde é necessário empurrar ou reposicionar a moto manualmente, essa diferença de peso em relação ao Falcon GT (69 kg) transforma uma situação simples em trabalho pesado — especialmente em trilhas com lama ou declive acentuado.

A próxima seção trata exatamente disso.

Peças, assistência e garantia no Brasil: o ponto que pesa depois da compra

Quando a moto para, o que decide o tempo de volta à trilha não é a marca — é se há peça disponível no Brasil e quem assina o conserto. Sur-Ron e Talaria chegam ao país majoritariamente por importação paralela, sem representante oficial que responda por garantia ou estoque local de componentes. A 79BIKE opera com estrutura diferente: importação direta, garantia formal de 12 meses cobrindo quadro, motor e bateria, e canal de suporte pelo próprio distribuidor brasileiro.

Isso não elimina todos os problemas, mas muda onde eles aparecem e quanto custam.

O cenário real quando algo quebra

Com Sur-Ron e Talaria importadas em paralelo, o caminho habitual para peças específicas — controlador, BMS, chicote elétrico — passa por pedidos internacionais com prazo de semanas e sem garantia de compatibilidade de versão. Sem representante no país, uma peça como o controlador pode levar semanas para chegar de fora, com custo de importação por cima.

Com a 79BIKE, peças de desgaste — pastilhas, pneus, rolamentos de roda — são componentes de mercado aberto que qualquer mecânico de moto encontra. Peças elétricas proprietárias ficam no estoque do distribuidor. O acesso não é instantâneo em qualquer cidade, mas o canal existe formalmente, o que muda o prazo e elimina o risco de pagar imposto de importação sobre cada reposição.

O que a garantia de 12 meses cobre — e onde ela não alcança

A cobertura de quadro, motor e bateria por 12 meses é o ponto mais concreto de diferenciação frente à importação paralela. No cenário de importação sem representante, a garantia do fabricante original dificilmente é acionável no Brasil — o comprador depende da boa vontade do revendedor, que pode não ter estrutura para honrar qualquer reparo.

O que a garantia cobre em cada caso, pergunte ao suporte da 79BIKE antes de comprar. Um piloto que instalar um controlador de terceiros para aumentar potência — prática documentada em fóruns de Sur-Ron e que parte dos compradores de elétricas tenta replicar — perde cobertura imediata. O risco concreto é pagar fora de garantia o componente mais caro da moto: a bateria, que nos modelos da linha representa parte relevante do valor total.

Assistência técnica fora dos grandes centros

Nenhuma das três marcas tem rede capilarizada de assistência técnica no interior do Brasil — esse é um limite real do mercado de elétricas off-road como um todo. A diferença está em quem resolve o problema de elétrica quando aparece longe de São Paulo ou do Rio.

Com Sur-Ron e Talaria importadas em paralelo, o diagnóstico elétrico depende de mecânicos que já trabalharam com aquele modelo específico, o que ainda é raro fora das capitais.

Se você pilota em cidade do interior, a pergunta prática antes da compra é direta: existe mecânico de moto na região que já abriu o sistema elétrico de alguma dessas marcas? Para componentes mecânicos — suspensão, freio hidráulico, pneu — qualquer oficina serve. Para o sistema de tração elétrico, a resposta honesta é que o suporte presencial ainda depende de onde você mora.

Como decidir em 5 perguntas

Cinco perguntas simples organizam o que as seções anteriores apresentaram em critérios isolados. Responda cada uma com honestidade sobre o seu caso — e o padrão de respostas vai apontar por si mesmo qual categoria de moto faz sentido para você.

1. Onde você vai usar a moto com mais frequência?

Se o plano é trilha técnica e competição amadora com grupo experiente, o par Sur-Ron/Talaria oferece peso menor e comportamento mais próximo do que a cena de enduro elétrico consolidou na Europa. Se o uso mistura trilha, estrada de terra e eventualmente via pública, a categoria muda: você precisa de moto regularizada com CNH categoria A, e aí os modelos 79BIKE já vêm preparados para esse registro. Usar qualquer uma dessas motos em via pública sem enquadramento legal correto gera multa e apreensão — isso não é detalhe burocrático, é custo concreto que aparece rápido.

2. Qual é o seu nível de experiência com moto off road?

Motos mais leves respondem mais rápido a qualquer erro de linha — o que é vantagem para quem já tem reflexo treinado e desvantagem real para quem está começando. Um iniciante que compra uma moto de 50 kg com torque alto tende a cair mais nas primeiras trilhas técnicas simplesmente porque a moto reage antes do corpo aprender a antecipar. Modelos como o Falcon Pro (59 kg, 410 Nm) e o Falcon GT (69 kg) têm peso que amortece um pouco essa resposta, o que dá mais margem de erro para quem ainda está calibrando a pilotagem elétrica.

3. Você tem onde resolver peça ou manutenção a menos de 200 km de distância?

Esse critério elimina opções antes do preço entrar na conta. Sur-Ron e Talaria importadas em paralelo têm peças disponíveis em lojas especializadas em grandes centros, mas a logística depende do importador — e quando o importador some ou muda de operação, o estoque também some. A 79BIKE opera com estrutura de assistência técnica nacional e reposição de peças própria. Se você está em cidade do interior sem acesso fácil a essa rede, pesquise qual das marcas tem representante num raio que você consegue alcançar antes de uma trilha te deixar parado.

4. Qual é o teto real do seu orçamento — incluindo equipamentos e imprevistos?

Calcular só o valor da moto é o erro mais comum de quem compra a primeira moto elétrica off road. Numa importação por conta própria entram impostos, frete e despachante, e a garantia pode simplesmente não existir no Brasil. Os modelos 79BIKE têm preço público — R$ 36.299 para a Falcon Lite, R$ 39.199 para a Falcon Pro, R$ 41.899 para a Falcon GT — com 12 meses de garantia para quadro, motor e bateria. Seja qual for a marca, pergunte antes de comprar quem cumpre essa garantia e onde.

5. Velocidade máxima de 95 km/h é suficiente, ou você precisa de mais?

Para trilha e enduro, a resposta quase sempre é sim — nenhuma trilha técnica exige mais do que isso, e acima de 80 km/h em off road o terreno já limita antes da moto. O critério muda se você pretende usar a moto também em estradas movimentadas com fluxo rápido. Nesse cenário, o Surge V (até 110 km/h, 35 kW) é o único modelo da linha 79BIKE que cobre essa faixa, mas pesa 105 kg e custa R$ 76.800 — a diferença de proposta em relação aos outros modelos da linha é grande o suficiente para tratar como categoria separada.

Se as respostas às perguntas 1 e 3 apontaram para uso misto e suporte local, a linha 79BIKE merece prioridade na comparação. Se as respostas 1 e 2 indicaram trilha exclusiva com piloto experiente e acesso a importador confiável, Sur-Ron e Talaria continuam como alternativas competitivas. Não há resposta única — há o seu uso específico cruzado com o que cada opção entrega de verdade.

Conclusão

Três critérios ficam claros ao longo deste comparativo e têm peso direto na decisão: suporte técnico regional, peso real da moto combinado com o seu perfil de pilotagem e autonomia declarada versus autonomia real em trilha. Qualquer um dos três, ignorado na hora da compra, custa mais caro do que a diferença de preço entre os modelos.

Sur-Ron e Talaria têm presença consolidada no mercado global, mas reposição de peça e assistência especializada ainda são concentradas em poucos estados brasileiros. Os modelos 79BIKE seguem o mesmo desafio logístico — e nenhuma das três marcas resolve isso automaticamente só porque você escolheu a “mais conhecida”. A pergunta concreta não é qual marca vence no papel; é se existe quem faça manutenção no seu estado quando algo falha.

Motos acima de 85 kg exigem piloto com experiência para recuperar situações de atolamento em trilha técnica. Se você está começando, esse peso combinado com terreno fechado transforma o passeio em trabalho físico antes mesmo de qualquer problema mecânico. Pese a moto que você está considerando, some ao seu próprio peso de equipamento e compare com a carga máxima do chassi — esse número raramente aparece no comparativo do vendedor.

O próximo passo prático: antes de fechar qualquer compra, pesquise qual assistência técnica autorizada existe na sua cidade ou em até 150 km de distância, teste ao menos uma moto elétrica off road em terreno real se possível, e peça ao vendedor a autonomia estimada especificamente em trilha com subida — não o número do manual.

Perguntas frequentes

Sur-Ron e Talaria precisam de CNH e placa no Brasil?

Depende da potência e da velocidade máxima de fabricação. Pela Resolução CONTRAN 996/2023, ciclomotor elétrico vai até 4 kW e até 50 km/h; acima disso, é motocicleta, com CNH categoria A e registro para circular na rua. Todos os modelos 79BIKE ficam acima desse limite. Para Sur-Ron e Talaria, confira a ficha oficial do modelo exato.

A 79BIKE tem assistência técnica fora de São Paulo?

A 79BIKE opera com rede de revendedores distribuídos por diferentes estados, mas a cobertura técnica autorizada ainda é concentrada em capitais e regiões metropolitanas. Se você pilota em cidades a mais de 300 km de um centro credenciado, o suporte pós-venda passa a depender de envio de peças pelos Correios ou técnicos locais sem certificação da marca — um fator que altera o custo real de manutenção ao longo do tempo.

Qual a diferença real de peso entre Sur-Ron, Talaria e 79BIKE?

Pela ficha oficial da 79BIKE, a Falcon Lite tem cerca de 57 kg, a Falcon Pro 59 kg, a Falcon GT 69 kg, a Lynx 85 kg e a Surge V 105 kg. Para Sur-Ron e Talaria, compare com o peso publicado pelo fabricante para o modelo exato, com bateria instalada. Em trilha técnica fechada, cada quilo a mais pesa na hora de reposicionar a moto.

A autonomia declarada de 120 km vale para trilha pesada?

Não. A autonomia publicada por qualquer fabricante — Sur-Ron, Talaria ou 79BIKE — vale para uso moderado. Em trilha com subida, aceleração forte e uso intenso do torque, o número real cai bastante. Planeje bem abaixo do catálogo até conhecer o consumo da sua moto no seu tipo de trilha.

Sur-Ron e Talaria têm peças disponíveis no Brasil ou é tudo importado?

Os dois fabricantes têm importadores ativos no Brasil, mas o estoque de peças específicas — como controladores, células de bateria e componentes de suspensão originais — ainda depende de importação para a maioria dos itens. O prazo de entrega varia conforme o importador regional. A 79BIKE opera com estrutura de importação própria no país, o que pode reduzir o tempo de espera por peças em comparação com importadores paralelos de Sur-Ron e Talaria, mas não elimina a dependência de reposição via frete.

A 79BIKE Falcon Lite serve para quem nunca pilotou moto elétrica off road?

A Falcon Lite é o modelo mais indicado para iniciantes dentro da linha 79BIKE por conta do peso menor e da curva de potência mais acessível em relação à Falcon GT e à Surge V. Quem nunca pilotou elétrica precisa adaptar a resposta ao acelerador — que entrega torque de forma instantânea, sem progressão como em um motor a combustão. Começar em um modelo com potência mais contida reduz o risco de susto nos primeiros meses de uso em trilha.

Aviso importante

As informações deste artigo são de caráter geral e educativo. Consulte um profissional qualificado antes de tomar decisões baseadas neste conteúdo.

Website |  + posts

Caio Bernardes, piloto de trilha de moto elétrica off road desde 2021. Testou praticamente todos os modelos 79BIKE vendidos no Brasil e escreve a partir desses testes e das dúvidas de quem está escolhendo a primeira moto elétrica off road.